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8 verões da Pousada A Capela

Em 20 de dezembro de 2019, a Pousada A Capela festou seu sétimo aniversário. Este é o nosso oitavo verão recebendo hóspedes. O texto pessoal e emocionado da próprietária Claudia Giudice fala dessa experiência

Há 7 anos, cheguei aqui com meu pai, minha mãe e meu filho. Nil Pereira abriu o portão. Eu estava com o coração na boca. Acho que ela também. Em 20 de dezembro de 2012, inaugurávamos nosso sonho. A fantasia virava realidade com CNPJ, holerites, boletos, planos, desejos, medos, inseguranças, dúvidas, vontades. De verdade, sabíamos que não sabíamos tudo o que era preciso para administrar uma pousada. Mas éramos 7 anos mais jovens, muito ousadas e cheias de vontade de fazer e dar certo. Eu ainda era jornalista e executiva. Tinha um baita salário para segurar as pontas e uma lista de planos B para aplicar se vigorasse o fracasso. Nil trabalhava com eventos corporativos. A mais famosa produtora de eventos da Bahia. 

 

Os primeiros hóspedes eram, graças a Deus, amigos. Como amigos, foram generosos, gentis, amáveis, adoráveis. Seguraram as pontas. Tiveram paciência. Tiveram compaixão. Não fizeram críticas e acharam graça em todas as nossas falhas, erros e bobagens. O Natal foi o primeiro desafio. Depois o Réveillon. Os funcionários aprenderam a atividade na tora, como se diz aqui na Bahia. Tipo conserto de Boeing voando. Eu e Nil metemos a mão na massa, na louça, na roupa de cama, na vassoura. Nunca trabalhei tanto na vida. Nunca senti tanto medo. Nunca fui tão feliz.

 

O esforço fui dando certo. As pessoas foram gostando apesar das falhas. Um dia foi muito marcante para mim. Meu pai, Paulo, que nunca gostou de mar, me chamou para um banho. Entramos dentro d’água e ele começou a descascar. Tipo coaching. Tipo chefe. Tipo pai. Foi falando um a um dos erros. Foi colocando defeito em tudo o que viu . Falou de tudo. Da cortina, passando pela colcha, lençol, papel higiênico, comida, bebida…Parecia um jornalista do antigo Guia Quatro Rodas. Foi tão duro que me deprimiu e eu reagi furiosa. Olhei pra ele brava e disse: “Para com isso pai. A Capela é uma pequena pousada de oito quartos. Estamos em regime de soft opening , cobrando uma merreca pelo Réveillon. Isso aqui não é o Copacabana Palace.” Ele me olhou com aqueles olhões azuis e silenciou. Nunca me esqueci dos comentários dele. Nunca deixei de perseguir a excelência do Copacabana Palace. Sempre busquei a perfeição como o mínimo aceitável. Porque acho que é assim que deve ser.

 

Hoje, sete anos depois, essa história tem um significa enorme para mim e para a Capela. Meu pai não passará o Natal nem o Réveillon conosco. Partiu para uma hospedagem mais bonita, mais eficiente, mais organizada e bem mais tranquila. De lá, tenho certeza que estará nos mandando força, sorte e boas energias para seguirmos firmes por mais um ano.

 

Que assim seja. Feliz aniversário pousada A Capela. Obrigada pai, obrigada mãe, obrigada Nil, obrigada Chico, obrigada a todo os colaboradores que trabalharam aqui. Obrigada amigos e clientes queridos que nos apoiaram e nos prestigiaram nestes sete anos.

 

Voltem sempre. A Capela só existe com vocês e para vocês. 

 

Gratidão